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A Soberania Tecnológica e Digital como pilar da autonomia – o desafio STEP

Autores

Ivo Pavia
Ivo Pavia

Innovation Manager

Soberania tecnológica como imperativo estratégico

Face às recentes alterações na geometria geopolítica internacional, a soberania tecnológica e digital transitou de um conceito teórico para um imperativo de sobrevivência económica e segurança nacional, onde a competitividade das nações é aferida pela resiliência dos seus sistemas e pela autonomia das suas cadeias de valor. Para Portugal e para a Europa como um todo, a capacidade de liderar o desenvolvimento e a implementação de tecnologias críticas define a linha entre ser um protagonista estratégico ou um mero consumidor passivo de soluções externas. Esta visão não advoga um isolacionismo anacrónico, mas sim uma autonomia estratégica robusta, focada na mitigação de riscos sistémicos e na proteção de ativos críticos contra a volatilidade global e a dependência excessiva de potências externas. É neste quadro de elevada complexidade que a Plataforma de Tecnologias Estratégicas para a Europa (STEP) surge como um instrumento fundamental de reindustrialização, desenhando um roteiro claro para a transição de um modelo de “adotante” de tecnologia para um modelo de “criador e exportador” de tecnologias de elevado valor estratégica.

Conheça os Avisos STEP

Da infraestrutura digital à cloud soberana europeia

Esta plataforma decorre de uma mudança profunda de paradigma na gestão de infraestruturas críticas e na salvaguarda da soberania de dados. Este paradigma já se encontra materializado em iniciativas como o Gaia-X, que visa a criação de uma rede de cloud federada e descentralizada, desenhada especificamente para eliminar a dependência crítica de fornecedores únicos e garantir que a interoperabilidade ocorra estritamente sob jurisdição europeia. Em Portugal, esta dimensão ganha uma expressão operacional estratégica através do TICE.PT, que atua como o polo aglutinador para estruturar espaços de dados soberanos, alinhando o tecido empresarial com a Estratégia Digital Nacional, que estabelece como prioridade a implementação de uma cloud soberana capaz de sustentar tecnologias emergentes como a Inteligência Artificial nacional.

Reindustrialização europeia e o papel da Península Ibérica

Complementando esta arquitetura digital com uma robusta capacidade industrial, a eventual implementação de uma Gigafactory em Sines, no âmbito de uma candidatura conjunta e paritária entre Portugal e Espanha, poderá posicionar a Península Ibérica como um hub estratégico de referência para a microeletrônica de potência e semicondutores. Este projeto de grande escala, que prevê um investimento potencial de 8 mil milhões de euros, visa catalisar os ecossistemas de Deep Tech e consolidar a soberania digital no sul da Europa. Se concretizada, esta infraestrutura será determinante para atrair investimento direto estrangeiro e garantir a resiliência das cadeias de abastecimento globais, transformando a região num polo de inovação tecnológica de impacto mundial.

Esta tendência de soberania tecnológica e digital tem se verificado por toda a Europa, sendo que há países a tomar iniciativas mais diretas. A França, por exemplo, tem liderado uma política de substituição tecnológica assertiva, implementando a doutrina do “Cloud de Confiança”, que incentiva a administração pública a preterir soluções dos “Hyperscalers” norte-americanos em favor de alternativas soberanas europeias, protegendo os dados sensíveis contra legislações extraterritoriais como o Cloud Act. Paralelamente, em países como a Suécia e a Dinamarca, observa-se um movimento crescente de desenvolvimento e adoção de suites de produtividade e ferramentas de Office de código aberto e base local, criadas para garantir que as ferramentas de trabalho diário das instituições permanecem sob jurisdição europeia, assegurando a conformidade total com o RGPD e a confidencialidade das comunicações.

Portugal como plataforma de inovação dual-use

Portugal, por seu lado, tem-se destacado ao consolidar-se como um eixo estratégico na revolução dos sistemas não tripulados (drones), evoluindo da investigação académica para a liderança na Base Tecnológica e Industrial de Defesa. Esta ascensão é potenciada por infraestruturas de experimentação únicas, como a Zona Livre Tecnológica (ZLT) de Aveiro e a ZLT de Troia (CEOV), sendo esta última o principal palco europeu para o desenvolvimento de sistemas robóticos navais sob a égide da Marinha e da NATO. Esta robustez permite a operação de sistemas com elevado potencial de dupla utilização (dual-use), onde tecnologias testadas para a segurança nacional e vigilância de fronteiras encontram aplicação direta na agricultura de precisão, na logística e na proteção de infraestruturas críticas civis, demonstrando como uma base tecnológica versátil garante simultaneamente a eficiência económica e a resiliência do território.

Do “vale da morte” à industrialização: o papel dos avisos STEP

Em última análise, a afirmação de Portugal no palco digital e a garantia da sua soberania tecnológica dependem da nossa agilidade em converter o país num produtor de tecnologia soberana e inovadora. Para que Portugal não se limite a ser um utilizador destas ferramentas, é imperativo superar o hiato crónico entre a investigação académica e a sua tradução em produtos industriais escaláveis, o conhecido vale da morte. É aqui que os Avisos IDI STEP (Investigação, Desenvolvimento e Inovação) se revelam o catalisador indispensável, oferecendo o suporte financeiro necessário para apoiar o salto tecnológico dos níveis de maturidade intermédios para a industrialização massiva. Este mecanismo é fundamental para reduzir o risco financeiro associado à inovação disruptiva, permitindo que o conhecimento científico se transforme em soberania industrial efetiva.

Para que Portugal atingir a sua visão de se transformar num hub tecnológico soberano, onde a inovação nacional dita as regras do mercado global em vez de se limitar a segui-las, é fundamental que as empresas com tecnologia estratégica aproveitem este mecanismo para acelerar a sua escala global, contando com a Ayming como o parceiro experiente e ideal para assegurar o sucesso da sua candidatura.

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