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Investigação e Desenvolvimento (I&D): o que é, exemplos práticos e como se relaciona com o SIFIDE

Autores

Sofia Gomes

Senior Consultant

Investigação e Desenvolvimento (I&D): o que é, exemplos práticos e como se relaciona com o SIFIDE

A inovação é frequentemente associada a grandes laboratórios, universidades ou empresas tecnológicas. No entanto, muitas organizações realizam diariamente atividades que podem ser consideradas Investigação e Desenvolvimento (I&D) sem terem consciência disso. Esta perceção limitada leva muitas empresas a ignorar oportunidades importantes de financiamento ou de benefícios fiscais.

Em Portugal, um dos instrumentos mais relevantes neste domínio é o Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial (SIFIDE), que permite às empresas recuperar uma parte significativa do investimento realizado em atividades de I&D através de deduções fiscais em sede de IRC.

Compreender o que realmente é I&D — e o que não é — é o primeiro passo para aproveitar este incentivo.

O que é Investigação e Desenvolvimento

De forma simplificada, a I&D corresponde a atividades orientadas para gerar conhecimento novo ou resolver problemas técnicos ou científicos para os quais ainda não existe uma solução clara.

No contexto empresarial, estas atividades enquadram-se normalmente em duas categorias:

Investigação Aplicada – Refere-se à procura de novos conhecimentos científicos ou tecnológicos. Pode envolver estudos, experimentação ou exploração de novas abordagens técnicas.

Desenvolvimento experimental – Consiste na aplicação desses conhecimentos para criar ou melhorar significativamente produtos, processos, serviços ou tecnologias.

Um elemento essencial da I&D é a existência de incerteza científica ou tecnológica. Ou seja, a solução para o problema não é conhecida à partida e exige experimentação, testes e desenvolvimento para ser alcançada.

Porque existe tanta confusão sobre o que é I&D

Muitas empresas acreditam que não realizam I&D porque associam o conceito exclusivamente a investigação científica complexa ou a grandes centros de inovação. Na realidade, a I&D pode ocorrer em praticamente qualquer setor de atividade, desde a indústria transformadora ao desenvolvimento de software, passando pela engenharia, construção, saúde ou energia. A chave está em perceber se o trabalho desenvolvido envolve:

  • Resolução de problemas técnicos complexos
  • Desenvolvimento de novas soluções ou tecnologias
  • Criação de protótipos ou testes experimentais
  • Melhorias significativas em produtos ou processos existentes.

Quando estes elementos estão presentes, é muito provável que exista enquadramento como I&D.

Exemplos práticos de atividades de I&D

Para desmistificar o conceito, vejamos alguns exemplos comuns em diferentes setores.

Indústria e produção

Uma empresa industrial decide desenvolver um novo processo de fabrico que permita reduzir o consumo energético e melhorar a qualidade do produto final. Para isso, realiza testes, adapta equipamentos e experimenta diferentes parâmetros de produção. Durante este processo, surgem vários desafios técnicos que exigem experimentação e desenvolvimento. Este tipo de atividade pode enquadrar-se claramente como I&D.

Desenvolvimento de software

Uma empresa tecnológica cria uma nova plataforma digital com funcionalidades inovadoras que exigem o desenvolvimento de algoritmos ou arquiteturas técnicas ainda não utilizadas internamente. A equipa realiza vários ciclos de testes e prototipagem até encontrar uma solução estável e eficiente. Este processo de desenvolvimento tecnológico também pode ser considerado I&D.

Engenharia e construção

Uma empresa de engenharia procura desenvolver uma nova solução estrutural ou material inovador que permita aumentar a durabilidade de uma infraestrutura. O desenvolvimento exige cálculos avançados, simulações, testes e validação técnica, envolvendo um processo de investigação aplicada.

O que normalmente não é considerado I&D

Nem todas as melhorias empresariais são consideradas I&D. Em geral, ficam excluídas atividades como:

  • Melhorias rotineiras em produtos ou processos
  • Implementação de tecnologias já existentes no mercado
  • Atividades de marketing ou design comercial
  • Simples adaptação de soluções técnicas conhecidas.

A distinção principal está no nível de inovação e incerteza técnica envolvido no projeto.

A ligação entre I&D e o SIFIDE

É precisamente para incentivar este tipo de investimento que existe o Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial (SIFIDE). Este regime permite às empresas deduzir uma percentagem significativa das despesas associadas a atividades de I&D ao imposto sobre o rendimento das empresas (IRC).

Entre as despesas que podem ser consideradas elegíveis encontram-se frequentemente:

  • Custos com recursos humanos envolvidos em projetos de I&D
  • Aquisição de máquinas e equipamentos afetos à investigação
  • Contratação de serviços científicos ou tecnológicos especializados

Dependendo das circunstâncias, o benefício fiscal pode representar uma recuperação muito relevante do investimento realizado em inovação.

Porque muitas empresas não aproveitam o SIFIDE

Apesar das vantagens do regime, muitas empresas não apresentam candidatura ao SIFIDE. Em grande parte dos casos, isso acontece porque:

  • Não reconhecem que desenvolvem atividades de I&D
  • Não identificam corretamente as despesas elegíveis
  • Não estruturam tecnicamente os projetos de forma adequada para candidatura.

Na prática, muitas organizações realizam atividades que poderiam ser enquadradas como I&D, mas não as documentam ou valorizam desse ponto de vista.

Identificar e estruturar corretamente as atividades de I&D permite não apenas beneficiar de incentivos fiscais como o SIFIDE, mas também valorizar internamente os processos de inovação da empresa. Além disso, uma abordagem estruturada à inovação facilita o planeamento de projetos tecnológicos, a gestão de conhecimento interno e a valorização do esforço de desenvolvimento realizado pelas equipas.

Transformar inovação em valor para a empresa

A I&D não é exclusiva de centros de investigação ou de grandes empresas tecnológicas. Muitas organizações inovam diariamente ao desenvolver novas soluções, melhorar processos ou resolver desafios técnicos complexos. Reconhecer essas atividades e enquadrá-las corretamente pode representar uma oportunidade relevante para otimizar o investimento em inovação.

Nesse contexto, instrumentos como o Sistema de Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial (SIFIDE) permitem transformar esse esforço em benefícios fiscais concretos, reforçando simultaneamente a capacidade de crescimento e competitividade das empresas.

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