Innovation Performance 09 Agosto 2018

Dinheiro Vivo: Portugal está mais empreendedor

Numa altura em que se aguarda pela implementação da reprogramação aprovada do Portugal 2020 e no seguimento da discussão sobre a sua execução (quatro anos após a implementação) é já possível efetuar um balanço, comparando-o com o QREN, o quadro anterior.

Da análise comparativa efetuada, destacam-se algumas conclusões que colocam o programa do Portugal 2020 na linha da frente, nomeadamente, no número de candidaturas apresentadas e no investimento feito em I&D.

Estreitando o espetro de análise no domínio da competitividade e para as tipologias que o compõe, nomeadamente para I&DT e Inovação, é visível o grande aumento do número de operações apresentadas no atual programa até março deste ano, onde um somatório na ordem das 12.500 candidaturas nas duas tipologias no PT2020 ultrapassa largamente as 2.300 do QREN. O total do investimento total proposto é bastante semelhante nos dois programas, rondando os 13 mil M€, sendo o investimento elegível total de 6,3 mil M€ em 2018 e 5 mil M€ em 2011.

Deve ser explicado que a quantidade de tipologias apoiadas é diferente, com um aumento destas no PT2020, ficando mais próximo do que é a realidade empresarial. Por exemplo, no PT2020 podem identificar-se 12 tipologias relativas a I&DT, enquanto que no QREN se podem identificar 7.

Comparando somente a tipologia que concerne à investigação empresarial (ID&T), as empresas portuguesas mostram-se cada vez mais empreendedoras, tendo apresentado até ao final de março de 2018 mais de 3.700 candidaturas, propondo um investimento de 2,4 mil M€. Para período homólogo do antigo SI, apenas 1.170 candidaturas foram apresentadas, solicitando um investimento mil M€ mais baixo (1,4 mil M€).

Sendo o investimento em I&D um dos indicadores que permitem aferir do estado de desenvolvimento de um país, podemos dizer que Portugal tem tido uma evolução positiva. Não só pela dinâmica criada com os Programas de Incentivos, como pela evolução das despesas de I&D (público + privado) recolhidas pela PORDATA entre 2007 e 2017, onde se verifica um crescimento de 30%.

Outro dado importante que contribui para este dinamismo é a abertura das Universidades e outros centros de I&D para a colaboração com as empresas. Em termos de investigação e desenvolvimento tecnológico, as empresas portuguesas revelam-se cada vez mais arrojadas e propiciadoras de atividades de investigação, contribuindo para que Portugal se torne um país onde se produz e dissemina conhecimento visando a valorização económica deste.

Depreende-se então que, apesar do ritmo inicial mais lento de execução do Portugal 2020, o investimento destinado à competitividade torna-se bastante apetecível para o tecido empresarial português, revelando-se como um importante meio de financiamento, nomeadamente no que diz respeito à inovação. O maior aproveitamento destes apoios financeiros vem, assim, espelhar o crescente dinamismo que se tem vindo a sentir nas empresas portuguesas.

Autoria do artigo: Pedro Ferreira, Senior Manager na Ayming Portugal

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