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Biotecnologia em Portugal: oportunidades de financiamento no contexto da autonomia tecnológica europeia

Autores

Diogo Neves

Consultant

O crescimento da biotecnologia em Portugal

Nos últimos anos, Portugal tem registado um crescimento significativo no setor da biotecnologia. De acordo com dados da P-BIO – Associação Portuguesa de Bioindústria, o volume de negócios das empresas biotecnológicas aumentou cerca de 33% entre 2011 e 2019 e, entre 2016 e 2020, o volume de negócios agregado de mais de duas centenas de empresas do setor mais do que triplicou, refletindo a rápida expansão do tecido empresarial e da atividade de investigação nesta área.

Apesar de ser frequentemente menos visível do que noutros países europeus, o ecossistema nacional de biotecnologia tem vindo a consolidar-se através do aparecimento de startups de base científica, empresas deep-tech, centros de investigação e parques tecnológicos especializados. A evolução aqui patente reflete-se também na diversidade de áreas em que a biotecnologia portuguesa atua, abrangendo domínios que vão desde a descoberta de novos fármacos e terapias avançadas até à biotecnologia industrial, agroalimentar e marinha.

Ainda assim, e apesar do crescimento observado, o volume médio de negócios por empresa ou por colaborador permanece abaixo da média registada nos países da União Europeia, o que evidencia simultaneamente o caráter ainda emergente do setor em Portugal e o significativo potencial de expansão que permanece por explorar.

Biotecnologia em Portugal

O tecido empresarial ligado à biotecnologia em Portugal inclui empresas de diferentes dimensões e especializações tecnológicas, refletindo a crescente diversificação do setor e a sua ligação a áreas como a saúde, a bioeconomia e a produção sustentável de biomoléculas. No conjunto dos exemplos mais relevantes encontram-se empresas que desenvolvem soluções inovadoras baseadas em biotecnologia avançada, como:

  • Exogenus Therapeutics, dedicada ao desenvolvimento de terapias baseadas em vesículas extracelulares, nomeadamente exossomas e outras nanotecnologias, explorando o seu potencial em medicina regenerativa e em aplicações terapêuticas inovadoras;
  • CarboCode, que desenvolve ingredientes bioativos baseados em glicosfingolípidos — uma classe de esfingolípidos complexos presentes nas membranas celulares — com aplicações em produtos de nutrição e cuidados da pele (skin care), explorando as suas propriedades funcionais e biológicas para promover saúde celular e bem-estar;
  • MicroHarvest, que aposta em processos biotecnológicos de fermentação microbiana para produzir proteínas e outros ingredientes de forma rápida e sustentável, contribuindo para o desenvolvimento de soluções inovadoras na área da alimentação e da bioeconomia.

Grande parte destas empresas encontra-se integrada em clusters e infraestruturas científicas relevantes, como o Biocant Park, em Cantanhede, ou redes associativas como a já mencionada P-BIO, que reúne empresas de diversas áreas das ciências da vida e promove o desenvolvimento e internacionalização do setor da biotecnologia em Portugal.

O papel da biotecnologia na autonomia tecnológica europeia

A pandemia de COVID-19 veio reforçar de forma clara a importância estratégica das capacidades científicas, tecnológicas e produtivas nas áreas da biotecnologia, biomedicina e farmacêutica. A crise sanitária evidenciou vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento globais, bem como a forte dependência europeia de infraestruturas produtivas e tecnologias críticas localizadas fora da Europa, nomeadamente no que respeita ao desenvolvimento e produção de vacinas, terapias biológicas, ingredientes farmacêuticos ativos e dispositivos de diagnóstico.

Perante este cenário, a União Europeia tem vindo a reforçar a sua estratégia de autonomia tecnológica e industrial em áreas consideradas críticas para a segurança, competitividade e resiliência económica do bloco europeu. Neste quadro, a biotecnologia assume um papel particularmente relevante, não apenas no domínio da saúde, mas também em áreas como a bioeconomia, a produção sustentável de materiais e químicos de base biológica, a valorização de recursos naturais e o desenvolvimento de soluções inovadoras para desafios ambientais e industriais.

Neste contexto surge a STEP – Strategic Technologies for Europe Platform, uma iniciativa europeia concebida para reforçar o investimento em tecnologias estratégicas que sejam determinantes para o futuro industrial, científico e tecnológico da Europa. A plataforma procura mobilizar recursos financeiros europeus e nacionais para acelerar o desenvolvimento, a produção e a adoção de tecnologias críticas, promovendo simultaneamente a capacidade de inovação e a competitividade das empresas europeias.

No conjunto dos domínios tecnológicos abrangidos pela STEP encontram-se várias áreas diretamente ligadas à biotecnologia. Destacam-se, em particular, a biotecnologia médica e farmacêutica, associada ao desenvolvimento de novas terapias, vacinas e medicamentos biológicos; a biotecnologia industrial e a bioeconomia, focadas na utilização de processos biológicos para produção sustentável de compostos químicos, materiais e energia; bem como a biotecnologia aplicada à saúde e ao diagnóstico, que inclui tecnologias avançadas de deteção de doenças e medicina personalizada.

A estas áreas somam-se, ainda, as tecnologias avançadas de bioprodução e biomanufatura, essenciais para garantir a capacidade europeia de escalar processos biotecnológicos e transformar inovação científica em soluções industriais competitivas.

Neste enquadramento, o reforço da capacidade europeia em biotecnologia não representa apenas uma oportunidade científica ou económica, mas constitui também um elemento central para a autonomia tecnológica, a resiliência industrial e a liderança global da Europa em setores estratégicos de elevado valor acrescentado.

Avisos STEP do PT2030: oportunidades de financiamento para empresas de biotecnologia

Num momento em que a Europa procura reforçar a sua autonomia tecnológica e capacidade produtiva em áreas críticas, a biotecnologia surge como um setor estratégico. Neste sentido, os novos Avisos STEP do PT2030 representam uma oportunidade relevante para as empresas portuguesas acelerarem investimento em inovação e escalabilidade.

Os avisos em causa destinam-se a apoiar projetos que contribuam para o reforço da capacidade tecnológica e industrial europeia, para o desenvolvimento de tecnologias críticas, para a escalabilidade de soluções inovadoras e para a transferência de conhecimento científico para aplicações industriais.

Neste contexto, para muitas empresas nacionais do setor da biotecnologia — particularmente aquelas que já desenvolvem atividades de I&D, desenvolvimento de produto ou que se encontram em fases de escalonamento industrial — estes instrumentos podem representar uma oportunidade relevante para acelerar o desenvolvimento tecnológico, financiar projetos-piloto ou infraestruturas produtivas, expandir a capacidade de produção biotecnológica e reforçar parcerias com universidades e centros de investigação.

O enquadramento atual surge num momento particularmente estratégico para o setor. Portugal dispõe de um conjunto de ativos relevantes para o crescimento da biotecnologia, entre os quais se destacam uma forte base científica nas universidades, centros de investigação de excelência, parques tecnológicos especializados e um número crescente de startups de base científica altamente qualificadas. A par destes fatores, verifica-se também uma integração cada vez maior em redes europeias de inovação, o que tem contribuído para reforçar a visibilidade e a competitividade do ecossistema nacional.

A conjugação destas condições com novos instrumentos de financiamento europeu cria uma janela de oportunidade para o setor biotech português reforçar a sua presença internacional e acelerar a transformação de conhecimento científico em soluções com aplicação industrial.

Assim, os Avisos STEP do Portugal 2030 assumem-se como um instrumento particularmente relevante para empresas que pretendam transformar investigação em inovação industrial e posicionar-se nas cadeias de valor tecnológicas europeias.

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